Bali: templos e natureza para Viver, Orar e Amar

A quinzena de férias do ano 2018 foi em Junho. Teria que ser nesse mês e eu só tinha uma certeza: queria muito colocar os pezinhos na Ásia, só tinha que escolher o país. Depois de pesquisar e ler sobre vários países deste continente, verifiquei que em grande parte deles, Junho pertence à época das chuvas e não quis arriscar. Então alterei a minha pesquisa para saber quais os países da Ásia cuja estação seca inclui o mês de Junho. Foi assim, que escolhi a Indonésia, mais concretamente a ilha de Bali.

Confesso que Bali nunca foi um destino de sonho, apesar de ser tão popular. As praias não são paradisíacas e só por isso nunca aprofundei a minha pesquisa. Quando comecei a pesquisar sobre a ilha, apercebi-me que era uma ideia errada. Mesmo assim, não fui com grandes expectativas o que tornou tudo muito mais interessante e posso mesmo afirmar que foi uma viagem incrível que me deixou rica em experiências.

Numas férias de Verão, como é que uma cultura e religião diferentes podem ser bem mais surpreendentes do que praias de águas cristalinas?

Como já foi referido no post sobre as Dicas de Bali, a melhor forma (também muito económica) para nos locomovermos na ilha foi alugar uma scooter. Mais uma vez, relembro que a ilha é muito grande, os pontos turísticos estão bastante dispersos e é melhor não criar o seu roteiro de forma apressada pois será difícil ver muitas coisas num só dia, devido ao tempo que leva para chegar aos locais a visitar associado a um trânsito complicado.

Os Balineses são muito religiosos e visitam os templos regularmente levando as suas oferendas. A ilha está repleta de “Puras” (templo hindu balinês) e um ano inteiro não seria suficiente para visitar os mais de mil templos espalhados por toda a ilha.

Com o sarongue, em direção ao templo, lado a lado com Balineses que mesmo durante a semana levam as suas ofertas.

Não esquecer que, para entrar nos templos, tantos os homens como as mulheres têm que cobrir os ombros e joelhos. Se não tiver um lenço grande vai ter que alugar um sarongue por um preço muito simbólico (ronda 1€), sendo possível alugá-los na entrada de cada templo.

Em 5 dias na ilha, aqui ficam as nossas escolhas que englobam um pouco de praia, cultura e paz, o melhor que Bali tem para oferecer:

Centro de Ubud

Sri Bungalows Ubud

Na região central da ilha, encontramos a verdadeira natureza e a zona mais característica. Considerado o centro cultural e espiritual de Bali, está repleto de lojas artesanais, mercados a céu aberto (Ubud Market), espetáculos e museus. É possível conhecer o artesanato local, regatear preços e caminhar por algumas ruas lado a lado com macacos, mas tenha cuidado pois são muito espertos e adoram roubar os turistas. Isto porque, é aqui que se encontra a Floresta dos Macacos que pode ser visitada diariamente até às 18horas.

Apesar de ser muito popular acaba por ser mais tranquila que o sul da ilha e o ponto de partida ideal para a conhecer. Está rodeada de templos, lojas e campos de arroz e o melhor é caminhar pelas ruas e misturar-se com os locais (é muito seguro).

Se a ideia não é ficar hospedado nesta região durante toda a viagem, o ideal é ficar pelo menos 3 a 4 noites. Aqui poderá encontrar os hoteis mais exóticos com piscinas de beiral infinito viradas para a florestação.

Terraços Tegalalang

Talvez seja nos extensos campos de arroz que reside a verdadeira alma de Bali. Longe das praias e da agitação das lojas e mercados, são a paisagem mais bonita para contemplar na ilha.

Os balineses trabalham de forma milimétrica os seus campos de onde extraem o seu principal alimento, transformando-os num manto verde em forma de terraços em escada para que a água possa fluir de cima para baixo. São felizes com o pouco que têm e permitem que os turistas visitem os seus campos. Como muitos deles são privados, há quem peça uma gorjeta ou cobre uma taxa de valor simbólico (10.000 rúpias = 0,60€).

É possível encontrar campos de arroz espalhados em quase toda a ilha. No entanto, os terraços Tegalalang são os que mais se destacam pela sua estrutura montanhosa. Não existe o caminho perfeito para percorrê-los. O ideal é ir caminhando e perder-se no meio de centenas de palmeiras, locais para fotografar e, de certeza, encontrará os famosos baloiços espalhados pelos terraços. Poderá baloiçar e viver essa experiência incrível por apenas 100.000 rúpias (6,25€).

Pura Tirta Empul

Relativamente perto de Ubud, Tirta Empul significa “Fonte sagrada” e trata-se de um complexo com 2 tanques com fontes de água, uma nascente, um tanque de peixes e vários templos e estátuas. Além das oferendas, o ritual mais popular é o da purificação que decorre dentro dos tanques com fontes de água em que se entra de fato-de-banho/roupa e obrigatoriamente com sarongue.

Os balineses praticantes da religião hindu acreditam que as fontes da água são sagradas e, por isso, mergulham a cabeça nas fontes e fazem os seus pedidos. São várias fontes e cada uma tem um significado e propósito específico. A água é um pouco escura devido à cor da pedra, mas completamente limpa.

Poderá não fazer muito sentido para nós, mas participar neste ritual é uma forma de viver esta cultura diferente. Apesar de haver muitos turistas também podemos ver muitos balineses que o praticam na vivência máxima da sua fé, logo, se participamos devemos respeitar.

Oferendas no templo

Todos os dias, das 7h às 17h

15.000 rúpias = 0,90€

Pura Lempuyang Luhur

Um complexo de vários templos, a 1,175m acima do nível do mar, localizado no alto do monte com o mesmo nome que significa Luz (Lempu) Sagrada (Hyang). Está dividido em 7 andares sendo necessária uma caminhada de 4horas para chegar ao último e por isso é conhecido como o “Templo das mil escadas”.

Escadaria dos Dragões

No entanto, o mais popular e interessante localiza-se no segundo andar onde podemos encontrar a escadaria dos Dragões que pode ser alcançada pelas escadas laterais pois é proibido subir pela escadaria central. À sua frente, encontramos a famosa “Porta para o Céu” direcionada para o Monte/Vulcão Agung que pode ser visualizado quando as condições meteorológicas o permitem. Tem uma vista deslumbrante, mas como é um templo muito alto, facilmente fica rodeado de nuvens. Por isso, o ideal é ser visitado em época seca e logo pela manhã.

Balineses com as oferendas

Foi o templo mais distante que visitamos. Desde Ubud, são 74km que se transformam em 2 horas de estrada (isto porque fizemos o percurso de scooter, porque de carro seria mais demorado). Valeu cada quilómetro! Foi o percurso mais longo, mas que nos levou por caminhos de pura natureza e locais mais recônditos. O caminho não é propriamente fantástico, mas não foi um entrave para nós, tão pouco experientes no que toca a conduzir uma scooter. Pelo meio de aldeias, há postos de abastecimento de combustível que, não são nada mais nada menos que balineses a vender em garrafas à porta de sua casa.

Todos os dias, das 7h às 17h

a entrada é gratuita mas convidam a fazer uma doação simbólica

Pura Taman Ayun

Pagodes Balineses

Situado em Badung, a 8km de Ubud, Pura Taman Ayun significa o “Templo do Belo Jardim”. Este complexo comtempla vários pagodes típicos Balineses de diferentes alturas, rodeados por um manto verde com preciosos jardins e outros locais para visitar.

Todos os dias, das 9h às 16h

20.000 rúpias = 1,25€

Tegenungan

A cascata Tegenungan sem dúvida que merece um lugar no seu roteiro. Em Gianyar, a 20minutos de Ubud, mas com acesso fácil. A queda de água é volumosa e limpa e o ambiente envolvente e o contacto com a natureza compensam a descida inclinada para ser alcançada.

Tegenungan Waterfall

Pura Luhur Uluwato

Considerado um dos templos mais bonitos da ilha, é um dos principais lugares de culto e um dos seis templos que formam os pilares espirituais de Bali.

Localizado em Uluwato, sobre um penhasco de 75metros de altura onde rebentam as ondas do mar, proporciona vistas especiais. Uma chamada de atenção para os macacos que habitam o templo pois são especialistas em furtar os objetos dos turistas.

Qualquer altura do dia é boa para visitar, mas a luz do entardecer ilumina a paisagem e o horizonte ganha um brilho especial. Por volta das 18h, decorre um espetáculo de dança Kekak (dança hindu balinesa com musical baseado numa lenda local), muito tradicional em Bali e a qual eu aconselho a vivenciar.

Os bilhetes para o espetáculo podem ser comprados juntamente com a entrada no templo. Um aviso: vá com tempo para conseguir chegar mais cedo para visitar o templo antes do espetáculo pois quando este terminar já não o poderá fazer. Tenha também em atenção o trânsito caótico. No meu caso, a ideia seria chegar mais cedo e assistir ao pôr-do-sol, mas devido ao trânsito, um percurso de supostamente 20min demorou mais de 1hora e já não chegamos a tempo, conseguindo apenas assistir ao espetáculo.

Todos os dias, das 9h às 18h

Templo – 40.000 rúpias = 2,50€; Espetáculo Kekak – 100.000 rúpias = 6,25€

Padang Padang

Bali tem várias praias mas Padang Padang acaba por se destacar por ser diferente do habitual. É uma praia pequena, cercada por pedras e florestação que para ser alcançada é necessário descer umas escadas pelo meio de templos e passar pelo meio de uma “gruta” bem apertada entre duas pedras, tornando o seu caminho tão exótico quanto os rochedos localizados na água que é cristalina, calma e morna.

Gruta de acesso à praia

Tanto pelo caminho como no próprio areal, mais uma vez, podemos encontrar vários macacos que fazem aquilo que mais gostam: tentar roubar objetos.

Um cenário que ficou marcado e popularizado no filme “Comer, orar e amar” (Eat, pray and love). Para visitar a praia é necessário pagar uma taxa (10.000 rúpias = 0,60€).


Há ainda uma regra, infelizmente discriminatória para as mulheres, que não permite a entrada de mulheres menstruadas nos templos. O culto acredita que as mulheres estão impuras durante este período. Alguns templos também restringem a entrada de mulheres grávidas, puérperas ou mulheres que estão de luto.

Restrição de entrada em Pura Tirta Empul

Tantos templos maravilhosos que ficaram por visitar. É uma ilha rica em locais únicos e recomendáveis, mas se a viagem é inferior a 5/6 dias, aconselho a adequar as suas escolhas aos seus pontos de maior interesse e aos que ficam mais perto do seu alojamento. Foi este o nosso princípio. Acredito que as férias devem ser produtivas (para quem assim quiser), mas será que devemos transformá-las numa odisseia?

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