Tanzânia: o meu roteiro de 11 dias (Safaris&Zanzibar)

Paradisíaca e aventureira. É assim que descrevo a viagem à Tanzânia, realizada em Outubro de 2017 e que acabou por ser a conjugação perfeita dentro do mesmo país. Considerada muitas vezes como o berço da Humanidade, onde foram encontrados vestígios dos primeiros seres humanos, é um país que oferece uma natureza intocada, vida selvagem, culturas atraentes e experiências fantásticas.

Não é um destino barato, principalmente devido ao preço dos voos e porque o turismo é uma forma de sobrevivência. Em contrapartida, é um dos países mais pobres do mundo em que caminhar numa das suas ruas não é o mesmo que caminhar em ruas da Europa, por isso, é melhor ir preparado para as diferenças que vai encontrar. Foi por esta razão que preferimos ir com tudo programado e recorremos a alguns guias, contudo, nunca nos sentimos inseguros. São um povo alegre e acolhedor, a quem falta tantas coisas mas que ao mesmo tempo tem tudo para ser feliz.

Crianças a brincar na praia

A nossa viagem consistiu num safari, uma das experiências mais marcantes do continente africano, aliado à exploração da ilha de Zanzibar, rica em encantos e atividades. Todo o roteiro foi planeado e preparado por mim, assim como todas as reservas efetuadas on-line e que aqui serão partilhadas pois foram uma mais-valia e segurança, cujas empresas cumpriram a 100% com o que estava acordado.

A quem se questionar porque não alugamos um carro e conduzimos por nossa conta: é um risco! Fui avisada por um amigo que já tinha viajado para a Tanzânia que conduzir no país era uma tarefa difícil pois há muito controle nas estradas e constantemente a polícia manda parar os condutores e exige um documento de autorização para conduzir no país que, se por acaso, o condutor não o tiver nesse momento (pode ficar esquecido no hotel) pode ter sérios problemas. Verificámos isto tanto na viagem até ao safari como em Zanzibar em que perdemos a conta às vezes em que o carro foi parado pela polícia. Temos quase a certeza que a empresa do Safari pagou mais que uma vez à polícia para esta não passar uma multa. Fica aqui o alerta e sugestão.

Polícia na estrada

Segue-se, então, o nosso roteiro de viagem. Uma viagem realizada em “lua-de-mel” e que influenciou na escolha dos hotéis. Se não fosse o caso, não teríamos escolhido um resort mas sim um hotel mais simples. Há muita oferta de hotéis bem mais acessíveis e na mesma encantadores.

Dia 1: voos internacionais

Como há várias rotas possíveis para chegar à Tanzânia, depois de muita pesquisa e simulações de preço, a rota de voos que ficou mais acessível foi a seguinte:

– voo Porto-Londres pela Ryanair;

– voo Londres-Nairóbi pela Kenya Airways;

– voo Nairóbi-Dar Es Salaam pela Kenya Airways.

Os voos pela Ryanair foram os únicos comprados à parte. Como a escala em Londres era de 7h e tínhamos que mudar de Aeroporto (chegámos pelo aeroporto de Londres-Gatwick e saímos pelo aeroporto de Londres-Heathrow), permitiu-nos regressar ao centro desta cidade e dar um pequeno passeio.

Chegámos a Nairóbi na madrugada do 2º dia da viagem com uma escala de apenas 2h para embarcar no último voo que nos levaria até à Tanzânia.

Dia 2: chegada à Tanzânia e partida para o Safari

Monte Kilimanjaro

Foi quando avistámos o Monte Kilimanjaro, da janela do avião, que soubemos que estava quase. Eram 8h da manhã quando finalmente aterrámos no aeroporto da cidade de Dar Es Salaam, capital da Tanzânia.

A empresa a quem contratámos o Safari estáva à nossa espera na saída do aeroporto para nos levar diretamente para o parque onde iríamos realizar o Safari.

Pensámos que o processo de saída do aeroporto seria relativamente rápido, só o tempo de desembarcar e esperar pelas malas de porão. Mas não! Foi lento e bem lento.

O que é preciso para entrar no País?

Estivemos mais de uma hora para passar na imigração e preencher os documentos de entrada no país. É ainda necessário pagar para entrar no país, sendo isto representado por um Visto que atribuem no passaporte e que custa 50 dólares (+/-45€). Além disto, é necessário apresentar o boletim de vacinas, no qual é obrigatório constar a vacina contra a Febre Amarela.

Já estávamos a par destas particularidades, só não sabíamos que iria demorar tanto tempo. Ansiosos por iniciar a nossa grande aventura no Safari, o tempo de espera parecia duplicar.

Quando recolhemos as malas de porão fomos ter à porta de saída do aeroporto e, conforme combinado, lá estavam os guias do Safari.

Antes de sairmos do aeroporto, tentámos levantar dinheiro, no entanto, as caixas de multibanco (se é que podem ser assim chamadas) não tinham dinheiro. Então, os guias fizeram um desvio no percurso até ao cento da cidade para podermos levantar dinheiro, sendo esta a única forma para o ter pois os bancos portugueses não possuem esta moeda (Xelim Tanzaniano).

Depois disto, esperava-nos uma longa viagem de 4h num 4×4 até à reserva natural aonde decorreria o safari.

Comprámos um Safari de 3 dias no Parque Nacional Mikumi, pela empresa THE INSIGHT TANZANIA SAFARIS, que nos proporcionou uma experiência para a vida e que recomendamos a 100%.

Já no parque, formalizamos a inscrição e o check-in no alojamento escolhido, um Lodge dentro do parque natural. Foi tempo de deixar as malas no quarto e partir para o primeiro safari até ao pôr-do-sol.

Dia 3: um dia completo em safari

O dia foi longo e rico em experiências. Em forma de resumo, não há muito para informar, mas há muito para contar num artigo sobre a nossa experiência no Safari (em breve).

Foi um dia destinado à exploração do parque nacional, vivenciar uma savana africana, aprendizagens sobre a história e a cultura deste país e encontros inesperados com os animais, mas ao mesmo tempo tão esperados.

Dia 4: último safari e partida para Zanzibar

Leoa após uma caçada…

O dia começou ainda mais cedo, com um safari antes do pequeno-almoço, mais uma oportunidade para estar perto dos animais e poder ver uma caçada pois estas acontecem bem cedo pela manhã.

Realizámos o check-out com a sensação de “queríamos mais”, mas tínhamos que apanhar o barco para Zanzibar à tarde e a viagem até ao porto de Dar Es Salaam ainda era longa.

Comprámos os bilhetes on-line pelo site Zanzibar Quest e recebemos os vouchers por e-mail. Os guias deixaram-nos diretamente no porto e ajudaram-nos a trocar os vouchers pelos bilhetes do barco.

Embarcamos e 2h depois desembarcamos no porto de Zanzibar, em Stone Town, capital da ilha.

Optamos por ficar uma noite em Stone Town para a podermos conhecer e porque no dia seguinte tínhamos um tour de barco com saída da praia de Stone Town.

Realizámos o check-in no hotel Asmini Palace, a poucos metros da praia e relativamente perto do terminal do ferry-boat.

Terminámos o dia a percorrer algumas ruas de Stone Town, conhecida como a Cidade de Pedra.

Dia 5: as tartarugas gigantes da Ilha Prisão e a Cidade de Pedra

A manhã estava programada para visitar a Ilha Prisão (Prison Island), uma ilha onde existe uma antiga prisão que em tempos era utilizada para manter os escravos presos e como local de quarentena em situações de epidemia. Atualmente, o edifício de quarentena foi transformado numa pousada e a prisão serve como abrigo das tartarugas gigantes que agora só podem ser encontradas nesta ilha, tornando-a muito visitada.

Comprámos este tour no site Zanzibar Quest, com um guia que nos foi buscar ao nosso hotel e saída da praia de Stone Town, junto ao terminal de ferry-boat. A viagem de barco tem a duração de 30minutos. Depois da visita à prisão, também inclui um snorkeling perto da ilha, rica em belos corais.

Há a opção de ter incluído o almoço ou não. Escolhemos a opção com almoço e, assim, após regressarmos a Zanzibar, o guia deixou-nos no restaurante Mercury´s Bar onde podíamos escolher o que quiséssemos para almoçar.

Depois do almoço, houve tempo para caminhar pelas ruas de Stone Town, sentir o cheiro das suas especiarias no mercado e apreciar os seus diferentes estilos arquitetónicos (indiano, árabe, africano, britânico, alemão e francês) que marcam a sua história. Não se pode dizer que a visita ao mercado é bonita, mas considero importante para quem gostar de observar e entender os costumes diferentes dos seus habitantes.

A meio da tarde, regressámos ao hotel para pegar nas malas e onde tínhamos um transfer à nossa espera para nos levar para Pwani Mchangani, no outro lado da ilha onde ficaríamos alojados no Hotel Ocean Paradise Resort até ao final da viagem. O transfer foi reservado on-line através do site Colors of Zanzibar e pago no dia ao motorista.

Dia 6: passeios pelas praias de Pwani e Kiwengwa

Dia de praia/hotel destinado mais ao descanso mas sem desperdiçar as oportunidades, pois a maré baixa proporcionou-nos uma realidade nunca antes vivida. Neste dia, a praia tornou-se num verdadeiro aquário natural em que caminhámos imenso em direção ao mar e encontrámos desde estrelas-do-mar, peixes “Nemo”, caranguejos, corais e outros animais marinhos que nem sabemos identificar. A caminhada teve que ser realizada com chinelos e com muito cuidado devido aos corais que cortam e porque estávamos a pisar “território desconhecido”. Claro que isto só foi possível porque a maré ficou muito baixa, o que é normal acontecer neste lado da ilha.

A tarde foi para visitar a praia de Kiwengwa que se une à de Pwani Mchangani numa curta caminhada.

Dia 7: a praia de Nungwi

A localização do hotel foi bem pensada pois queríamos visitar quase os 2 extremos da ilha, a norte e a sul. A norte da ilha, programamos visitar a praia de Nungwi, considerada por muitos como a mais bela de Zanzibar. Não posso discordar, porque para mim foi a mais completa pois as outras praias que visitámos e que eu achava que teriam potencial para derrotar esta não nos presentearam com toda a sua beleza pois a maré estava desmasiado baixa.

Para nos deslocarmos até ao norte da ilha, alugámos um carro com motorista através do site Zan Cars e por um preço acessível. Como queríamos conhecer outros pontos da ilha, o aluguer foi para 2 dias. O motorista ia buscar-nos ao nosso hotel logo de manhã e lavava-nos a onde quiséssemos. No final do dia, regressávamos ao hotel. E assim foi. Saímos após o pequeno-almoço para a praia de Nungwi (40minutos).

O dia foi ótimo para relaxar, a água estava espetacularmente azul e cristalina e a zona da praia em que ficámos estava quase sem ninguém (o que nesta praia é muito bom). É a praia com mais bares e restaurantes, perfeitos para uma refeição.

Dia 8: as praias de Paje e Jambiani e almoçar numa rocha

Mais um dia de descobertas. O princípio foi o mesmo que no dia anterior. Saímos após o pequeno-almoço, mas desta vez, rumo ao sul da ilha e com mais paragens. A primeira paragem foi na praia de Paje (1h15min) onde permanecemos durante a manhã. Pouco mais se fez do que descansar na praia e apreciar os inúmeros praticantes de Kit Surf.

Combinámos com o motorista o local de encontro e à hora marcada saímos em direção ao restaurante The Rock (20min). Basicamente trata-se de um restaurante sobre uma rocha e no meio da água. Há alturas em que, se a maré estiver muito cheia, é necessário ir de barco para alcançar o restaurante. À primeira vista não tem nada de especial, mas acabou por ser uma situação única para nós e a vista panorâmica no alto do restaurante é incrível.

Após o almoço, a última paragem foi na praia de Jambiani (30min) com direito a banhos de água e de sol.

Dia 9: snorkeling na ilha Mnemba

Mais um tour previamente marcado através do site Babu Safaris. Consistiu num passeio de barco em grupo com saída da praia de Nungwi e em direção à ilha Mnemba (Mnemba Island), conhecida como a melhor zona para realizar snorkeling em Zanzibar.

Como esta ilha é privada, o barco atracou nas suas proximidades e daí iniciámos o snorkeling durante o resto da manhã. Foi uma experiência maravilhosa e segura que nos possibilitou ver a diversidade de peixes coloridos, corais e a tão ansiada tartaruga marinha (muito comum nesta zona em determinadas épocas do ano).

De coração cheio, mas com a barriga vazia (nadar desgasta!), na hora do almoço, regressámos ao barco que nos levou até à praia de Matemwe. Enquanto estivemos a realizar o snorkeling, alguns dos guias foram pescar peixe para o nosso almoço que foi confecionado na praia. Peixe, arroz, legumes e fruta. Um almoço diferente e marcante pelo ambiente envolvente. Antes de regressarmos à praia de Nungwi, ainda houve uma cesta à sombra das palmeiras.

Assim como nos foram buscar ao hotel pela manhã, terminado o tour, um dos guias levou-nos de volta ao hotel.

Dia 10: o último dia em Zanzibar

Acabou por ser o dia das lamentações porque a viagem estava a terminar, porque era tão bom se pudéssemos ficar mais um dia, porque vamos ter imensas saudades, porque etc… Mas também foi um dia para relaxar, aproveitar os últimos momentos no hotel em Zanzibar, despedirmo-nos daqueles que nos marcaram e agradecer pelos momentos partilhados e vividos.

A manhã foi passada entre o hotel e a praia e após o almoço tínhamos um transfer reservado pelo site Colors of Zanzibar que nos levaria de volta ao porto de Stone Town onde apanhámos o ferry-boat para Dar Es Salaam no final da tarde. Antes de embarcarmos, mais uma vez, foi necessário trocar o voucher da reserva on-line (Zanzibar Quest) pelos bilhetes de barco na loja correspondente à empresa em que íamos viajar. O motorista foi muito gentil e acompanhou-nos neste processo.

Chegados ao porto de Dar Es Salaam, outro transfer reservado pelo site
Zanzibar Quest aguardava por nós para nos levar diretamente para o aeroporto onde de madrugada deixaríamos o país.

Dia 11: Voos Internacionais

Dar Es Salaam

Oficialmente dissemos adeus à Tanzânia. A rota de voos de regresso foi idêntica à de chegada mas com escalas mais curtas:

-voo Dar Es Saalam-Nairóbi pela Kenya Airways;

-voo Nairóbi-Londres pela Kenya Airways;

-voo Londres-Porto pela Ryanair.


Quando penso na Tanzânia fico com um sentimento de carinho e saudade, não apenas por ter sido o nosso destino de lua-de-mel, mas pelas pessoas que se cruzaram connosco e pelas experiências que nos proporcionou. Se pudesse, repetia já e o meu coração também me diz que será um país para talvez um dia regressar pois muita coisa ficou por ver e viver.

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